- Email: contato@monteiroakl.com.br
O que fazer quando a doença ocupacional aparece pós demissão
Doença ocupacional pós demissão: Muitas pessoas sofrem com o fato de serem dispensadas de seus empregos enquanto estão com algum problema de saúde. Quando isso acontece, é normal questionarem se podem ser reintegradas ao trabalho.
Isto é, se a empresa é obrigada a cancelar a dispensa e readmitir no emprego.
Apenas um detalhe inicial: a palavra “demitido” é usada quando você empregado pede o desligamento.
Isto é, quando parte de você a iniciativa. No caso de o empregador acabar com o vínculo, então o correto é falar em “dispensa”.
Mas vamos para as corriqueiras perguntas: o patrão (a empresa, o empregador…) pode dispensar o empregado se ele estiver doente?
Existe alguma estabilidade? Se for dispensado, o empregado tem direito de ser reintegrado ao trabalho?
Vou responder esses questionamentos analisando alguns pontos.
Leia também: Doenças ocupacionais mais comuns
A DOENÇA OCUPACIONAL PÓS DEMISSÃO CAUSA INCAPACIDADE PARA O TRABALHO?
Deve-se ter em mente que o fato de uma pessoa ter determinada doença, não significa, necessariamente, que ela não possa trabalhar.
Isso porque depende do estágio em que se encontra a enfermidade.
Vou citar como exemplo a doença ocupacional. Não existe um dado preciso em nenhuma pesquisa, mas cerca de 20% da população brasileira sofre com algum problema crônico como a tendinite.
Entretanto, isso não significa que todas essas pessoas estão “incapazes” para o trabalho.
Por ser um problema “crônico” é possível estarem inválidas em alguns momentos e em outros, não.
- Feito esse breve esclarecimento, a resposta à pergunta acima é: regra geral, o trabalhador só poderá ter qualquer estabilidade no emprego, ou direito à reintegração, caso estivesse incapaz para o trabalho no momento em que foi dispensado.
Em outras palavras, apenas o fato de ter alguma doença não garante, por si só, a estabilidade no emprego ou o direito à reintegração.
Sendo necessário que no momento da demissão o empregado esteja “incapaz”.
Deve-se ficar atento, para o fato de que determinados empregados estão trabalhando sem terem condições de saúde.
Ou seja, devido à alguma enfermidade, deveriam estar afastados, realizando tratamento e tentando recuperar a capacidade laborativa, mas, por diversas razões, estão trabalhando em sacrifício da saúde, agravando-a.
Às vezes, mesmo quando deveriam estar afastados, alguns empregados continuam trabalhando porque não conseguem:
- marcar uma consulta médica (muita fila de espera no SUS);
- porque têm medo da represália no ambiente de trabalho;
- ou porque pode diminuir demais a remuneração (o auxílio-doença é de valor mais baixo que o salário);
- ou ainda, porque pode demorar para o INSS pagar o auxílio-doença, e têm contas a quitar; enfim, os motivos são vários.
Se acontecer de o empregado continuar trabalhando mesmo quando deveria estar afastado para tratar algum problema de saúde, e a empresa dispensar ele do trabalho, isto é, “demiti-lo”, sabendo ou não da situação de sua saúde, poderá o empregado conseguir a reintegração à função.
Saiba mais: Doenças Ocupacionais Respiratórias
Digo “poderá” porque a prova de tal fato pode ser bem difícil, uma vez que depende de perícia médica, de exames, laudos, atestados, etc. Mas o direito existe.
Portanto, o fato de ter uma doença ocupacional quando foi dispensado do emprego, não garante ao empregado o direito à reintegração.
O que precisa ser investigado é se esse empregado estava inválido ou não no momento da dispensa.
Ressalvando-se que o empregado pode ser considerado inválido, mesmo que tenha permanecido trabalhando, pois o fazia sem condições para tanto, piorando seu quadro de saúde e sacrificando sua condição física e mental.
Na hipótese dessa última “ressalva” feita, a incapacidade será comprovada em momento posterior à dispensa, por meio de auxílio-doença requerido junto ao INSS, preferencialmente durante o período da “projeção” do aviso-prévio.
Assim, se o empregado estava incapaz para o trabalho (invalidez) no momento em que foi dispensado, mesmo que seja comprovado posteriormente, ele tem direito de ser reintegrado, conforme será abordado a seguir.
DOENÇA OCUPACIONAL PÓS DEMISSÃO: QUAL A ORIGEM DA INCAPACIDADE EXISTENTE NO MOMENTO DA DISPENSA?
Estando o empregado inválido no momento em que foi dispensado, precisa ser analisado o que causou a incapacidade, pois a resposta influencia bastante nos desdobramentos da questão.
.1 Se a incapacidade não tem origem em doença ou acidente de trabalho
2. Se a incapacidade existente no momento da dispensa for por causa de uma “doença do trabalho” ou de um “acidente de trabalho”
Eu sei que é algo muito específico para entender, por isso, você pode clicar abaixo e pedir mais informações:
A jornada que você trabalhador em doença ocupacional pós demissão enfrentará é mais ou menos a seguinte:
a. Imediatamente, isto é, no dia da dispensa, se possível, vá ao médico e veja se diante de seu estado de saúde, deveria estar afastado do trabalho. Se a resposta for positiva, então peça um atestado médico;
b. Apesar de alguns colegas recomendarem o contrário, eu não vejo problemas de o trabalhador fazer e receber a rescisão do contrato de trabalho, inclusive homologando no sindicato, se o empregador quiser. Lembrando apenas que com a reforma trabalhista não há mais necessidade de qualquer homologação no sindicato;
c. Feita a rescisão do contrato de trabalho (quero dizer: tendo o TRCT em mãos), pode ligar no INSS (135) e agendar um pedido de Auxílio-Doença. Será marcada uma data para a perícia médica;
d. Até chegar a data da perícia médica marcada pelo INSS, esforce-se para, se possível, providenciar:
d.1 documentos médicos que comprovem seus problemas de saúde: exames; atestados de todo o período; laudos relatando as enfermidades, os tratamentos que está fazendo e porque não deve ser afastado do trabalho; declarações de profissionais da saúde (fisioterapeutas, psicólogos etc.) descrevendo eventual tratamento complementar;
d.2 CAT – Comunicado de Acidente de Trabalho: se seu problema foi causado ou, pelo menos, agravado pelas atividades realizadas no trabalho, deve ser considerado “acidente de trabalho”. O correto seria, em primeiro lugar, a empregadora emitir o CAT, mas como isso é muito difícil de acontecer, pois só costumam emitir em caso de acidentes típicos (quedas, colisões, fraturas etc), você pode buscar ajuda do Sindicato da categoria e pedir para emitirem a CAT (também sei que até os sindicatos absurdamente colocam empecilhos para emitir esse documento), ou, ainda, até o médico que atendeu ou a própria vítima pode emitir esse formulário. Evidente que há uma decrescente força probatória, sendo que o ideal é o emitido pela empregadora;
d.3 no momento da perícia leve tudo que conseguiu, a fim de aumentar as chances de conseguir o deferimento do benefício e o enquadramento como B91 (Auxílio-Doença por Acidente de Trabalho).
e. Não receba o Seguro Desemprego: insista em receber o Auxílio-Doença. Se optar por receber o seguro desemprego, só depois que esse terminar é que poderá receber o auxílio-doença e quanto mais cedo receber esse benefício, maiores as chances de conseguir a reintegração;
f. Se, após a perícia médica no INSS, conseguir o Auxílio-Doença por Acidente de Trabalho (B91), ingresse com ação trabalhista pedindo a Reintegração. Terá enormes chances de conseguir inclusive a Tutela de Urgência (liminar, tutela antecipada);
g. Se o Auxílio-Doença for indeferido ou se for concedido na espécie “comum” ou “previdenciária” (código B31), então poderá:
g.1 ingressar com recurso administrativo perante o próprio INSS solicitando a transformação para B91 (acidentário ou por acidente de trabalho). Nesse caso, basta solicitar no INSS um formulário que deverá ser preenchido com os motivos pelos quais a incapacidade deve ser considerada como “acidente de trabalho” ou “doença ocupacional”. Esse recurso pode ser feito sem advogado, mas recomendo que tenha um profissional para auxiliar, pois é muito importante que consiga esse reenquadramento na espécie do benefício;
g.2 ingressar com ação judicial pedindo a transformação/concessão do benefício Auxílio-Doença por Acidente de Trabalho (também chamado de Auxílio-Doença Acidentário, código B91).
Leia também: Auxílio-doença – veja como funciona
h. Importante ingressar com ação trabalhista pedindo a reintegração ao emprego e também pedindo indenização por danos morais por conta da dispensa arbitrária. Essa ação poderá ser proposta logo após ser dispensado ou poderá esperar a resposta do INSS. Costumo orientar a esperar, pelo menos, a resposta da primeira perícia junto ao INSS, sem necessidade de esperar eventual recurso administrativo ou ação judicial contra o INSS, pois isso pode se prolongar demais no tempo;
i. Se mesmo com o recurso administrativo e com a ação judicial não conseguir o Auxílio-Doença Acidentário (ou Por Acidente de Trabalho, B91), isso não significa que não vai conseguir a reintegração por meio da ação trabalhista, porém provavelmente não conseguirá a tutela de urgência (também conhecida “popularmente” como liminar ou tutela antecipada);
j. Na ação trabalhista buscando a reintegração, tendo ou não o Auxílio-Doença por Acidente de Trabalho (B91) concedido, certamente será realizada uma perícia médica judicial e se nesse processo o perito afirmar que no momento da dispensa do empregado ele estava com incapacidade decorrente de alguma enfermidade classificada como acidente ou doença do trabalho, então o empregado provavelmente será reintegrado e ainda receberá todas as remunerações retroativas a contar da injusta dispensa;
k. Pode acontecer de a perícia judicial da ação trabalhista que busca a reintegração ou a respectiva sentença ser em data posterior a um ano (período em que teria estabilidade) considerando a data da dispensa. Nesse caso, alguns juízes optam por não reintegrar o trabalhador e apenas determinam que a empregadora faça o pagamento de indenização substitutiva equivalente a doze meses de remuneração. Creio ser injusta essa solução, principalmente pelo fato de que a demora na realização da perícia médica e/ou no publicação da sentença em nada é culpa do empregado, pelo que não deve ser punido, principalmente quando seu real objetivo não é a indenização, mas a garantia de retorno ao emprego do qual foi injustamente dispensado.
É muita coisa, não é?
Caso queira informações detalhadas, clique no botão abaixo e consulte um advogado:
Basicamente, esse é o caminho que você costuma enfrentar na doença ocupacional pós demissão, se sofre a dispensa do trabalho e pretende ser reintegrado por meio de uma decisão judicial.
São muitos os obstáculos, mas os direitos existem.
Para saber mais sobre doença ocupacional pós demissão, leia:
O que são as doenças ocupacionais?
Quando pedir indenização por doença ocupacional?
Conheça as doenças ocupacionais mais comuns na área da saúde!
Doenças ocupacionais são comuns entre os profissionais do telemarketing
play youtube,
xhamster,
xvideos,
xvideos,
porn,
hentai,
porn,
xnxx,
xxx,
tiktok download,
MP3 download,
javHD,
How To Superscript In Google Docs,
hentai,
Download Mp3,
xxxfuck,

OAB/RO 2580
• Advogada desde 2004.
• Gestora da pasta jurídica do escritório Monteiro Akl.
• Sócia do escritório Monteiro Akl desde 2018.
• Graduada em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas, Exatas e Letras de Rondônia – FARO, em julho de 2004.
• Habilitação na Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rondônia, em novembro de 2004.
• 2005 – exerceu cargo de Assistente Jurídica do Ministério Público de Rondônia.
• 2005 a 2009 – exerceu cargo de conciliadora no Tribunal de Justiça de Rondônia,
• 2009 a 2018 – exerceu cargo de assessora de Juiz.
Related Articles
OAB/RO 2580 • Advogada desde 2004. • Gestora da pasta jurídica do escritório Monteiro Akl. • Sócia do escritório Monteiro Akl desde 2018. • Graduada em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas, Exatas e Letras de Rondônia – FARO, em julho de 2004. • Habilitação na Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rondônia, em novembro de 2004. • 2005 – exerceu cargo de Assistente Jurídica do Ministério Público de Rondônia. • 2005 a 2009 – exerceu cargo de conciliadora no Tribunal de Justiça de Rondônia, • 2009 a 2018 – exerceu cargo de assessora de Juiz.



